Fábricas da Agrenco voltam a operar

As fábricas da Agrenco do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul devem começar a operar normalmente antes do final deste ano. A expectativa de uma fonte ligada à empresa é de que, com o acordo firmado junto à multinacional suíça Glencore, especializada na comercialização de commodities agrícolas e não-agrícolas, as fábricas hoje paradas recebam os investimentos necessários para retornarem a operação.

Esta possibilidade gerou forte alta no volume de negócios com as BRDs da Agrenco e valorização dos papéis nos últimos 15 dias, pouco antes da assembléia. Somente no mês de maio, as ações da Agrenco registraram valorização de cerca de 60% em maio e no ano acumulam ganhos de 300%. “Acredito que a alta esteja relacionada à solução da Assembléia Geral de Credores e à tendência da empresa voltar a gerar retorno”, explicou um analista de mercado.

A Agrenco tem duas unidades de processamento de grãos, em Alto Araguaia (MT) e Caarapó (MS). Como as fábricas ainda não estão totalmente concluídas, para passarem a produzir, precisam de investimentos de cerca de R$ 60 milhões. A maior parte dos recursos será gerada pela venda da unidade de produção de biodiesel, localizada em Marialva, no Paraná, para a empresa gaúcha BSBios. O valor da operação ainda não foi definido. “Como a empresa não está acabada, estamos calculando o valor do maquinário, entre outros ativos. No entanto, o acordo já foi fechado”, disse a fonte da Agrenco. O restante dos recursos necessários para o retorno das operações deve ser aportado pela própria Glencore.

O acordo com a Glencore não envolve a compra de ativos, mas segundo a fonte deve ser mais operacional. A Agrenco continuará com os ativos em mãos e será responsável pelas atividades administrativas. “Acredito que pelo que foi assinado na Assembléia, a Glencore será uma espécie de prestadora de serviço para a Agrenco, pois será remunerada para fazer as fábricas voltarem a funcionar”, disse.

Segundo a ata assinada na assembléia, a Glencore será responsável pelas atividades operacionais da Agrenco e terá prioridade na aquisição das operações, caso haja interesse dos proprietários da Agrenco se desfazerem do negócio. A empresa suíça já atuou no mercado brasileiro, mas saiu em 1997, após vender suas operações no mercado de grãos para a americana ADM.

Uma nova assembléia será realizada para a aprovação do contrato com a Glencore, a reunião foi marcada para o dia 2 de junho, quando também devem ser votadas outras deliberações. Na reunião desta semana, os credores também aprovaram a nomeação dos administradores das sociedades por um mandato de três anos.

Devido ao plano de recuperação judicial, a companhia ainda não divulgou o balanço referente ao ano de 2008. A Agrenco entrou em acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com o compromisso de anunciar os dados no início de julho. O último balanço divulgado pela companhia data do primeiro trimestre do ano passado, antes do escândalo que envolveu a prisão do fundador e presidente, Antonio Iafelice, e do diretor de relações institucionais, Francisco Ramos e do diretor de operações Antonio Pires. Os três forma presos em junho, e respondem à acusação de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro e estelionato.

Há quase um ano, a Agrenco anunciou a venda do seu controle. Primeiramente, a companhia negociou com o grupo francês Louis Dreyfus Commodities (LDC), mas o contrato de exclusividade durou pouco. Logo a Agrenco passou a negociar também com outros interessados e recebeu a oferta da Noble, de Hong Kong, e da própria Glencore. No entanto, em setembro do ano passado inviabilizou a venda.