Brasil deve investir 8% do PIB em educação, recomenda o Unicef

País precisa reverter as desigualdades no acesso e os problemas de qualidade do ensino brassileiro

09.06.2009 – 17:40

Redação

O Brasil precisa investir pelo menos 8% do Produto Interno Bruto na educação para conseguir reverter as desigualdades de acesso e os problemas de qualidade que ainda persistem. A avaliação é da representante do Unicef (Fundo das Nações Unidas pela Infância) no país, Marie-Pierre Pirier.

O dado mais recente divulgado pelo Ministério da Educação, de 2007, e aponta que o gasto público do país na área correspondeu a 4,6% do PIB. O ministro Fernando Haddad defende que o investimento público em educação deve ser de 6% do PIB, média do que aplicado em países desenvolvidos.

Mas Marie-Pierre aponta que países que enfrentaram situação semelhante a do Brasil e precisavam reverter “dívidas históricas” com a educação, como a Coreia, o Japão e a Irlanda, obtiveram bons resultados após aumentarem os investimento na área para mais de 6%.

“Não é de um dia para o outro, mas é uma visão que colocamos para o debate. Sabemos que isso faria diferença e o Brasil tem como fazer essa escolha”, afirma a representante do Unicef.

Além de um aumento no investimento em educação, o relatório da entidade recomenda a ampliação da obrigatoriedade do ensino da atual faixa etária dos 7 aos 14 anos, que compreende o ensino fundamental, para o período dos 4 aos 17 anos, incluindo a educação infantil e o ensino médio.

Marie-Pierre fez um apelo ao Congresso Nacional para que a Casa aprove uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina essa mudança. O projeto também prevê o aumento dos recursos para educação em cerca de R$ 7 bilhões ao ano.

Na avaliação da representante, o Brasil precisa melhorar a articulação entre os vários setores do governo e da sociedade civil em um esforço para garantir o direto à educação. “O desempenho escolar não depende só da escola, mas o apelo estratégico dela é muito importante na vida da criança. No relatório nós chamamos a importância para o envolvimento do setor da saúde, por exemplo. Porque uma criança desnutrida, doente ou em situação de violência não consegue aprender”.

Com Agência Brasil