Quanto mais o projeto de reativar a Telebrás avança, menos informações circulam sobre os planos do governo. No mês passado, a Casa Civil encaminhou à Anatel um pedido de 50 funcionários (sendo 15 engenheiros) que devem ser devolvidos à estatal para que ela possa reiniciar suas atividades no setor. A ideia é concluir a transferência em dois meses. Mas o fato de o projeto estar próximo de um “pontapé inicial” concreto fez com que a cúpula responsável pelo assunto se calasse.

O tema tornou-se praticamente proibido. “Não posso responder sobre isso porque há uma recomendação de reserva neste assunto”, esquivou-se Rogério Santanna, secretário de logística e tecnologia da informação do Ministério do Planejamento. Santanna é tido como o “pai” do projeto e apontado nos balcões de aposta do setor como o futuro presidente da estatal reativada. A reserva se dá por dois motivos: um pedido claro do governo para que o assunto seja tratado com discrição e a preocupação de que a veiculação de informações mexa com as ações da Telebrás, como ocorreu no passado.

O assunto que Santanna disse não poder responder tem, de fato, potencial explosivo. Fontes deste noticiário contam que o governo teria encontrado um “plano B” para reativar a Telebrás sem ter que esperar a solução do contencioso da Eletronet. O uso da rede de fibras que compõe a Eletronet aguarda a execução de uma decisão tomada pela Justiça no ano passado, em que a Telebrás passaria a ser a responsável pela infraestrutura enquanto a disputa entre os acionistas é resolvida.

A nova alternativa que está sendo estudada pelo governo é o uso das redes da Petrobras e de Furnas. Ambas as estatais possuem uma malha considerável de fibras ópticas para seu próprio uso, como teleproteção de linhas (no caso de Furnas) e transmissão interna de dados (no caso da Petrobras). No setor elétrico, as fibras compõem os cabos para-raios nas redes de alta tensão. Já no caso da Petrobras, é comum usar a faixa de servidão dos oleodutos e gasodutos. Ao ser questionado se acordos estão sendo negociados entre a Telebrás e as outras duas estatais, Rogério Santanna desconversa: “não confirmo nem desminto”.

Mesmo a devolução de funcionários é tratada com sigilo pelos envolvidos, direta ou indiretamente, no projeto. O presidente da Telebrás, Jorge da Motta e Silva, diz que só tem conhecimento da movimentação da Casa Civil pela imprensa, mas confessa que não participa diretamente das negociações para a reativação da empresa. Novamente, o argumento para não comentar o assunto foi o temor de que as ações da estatal voltem a ser objeto de especulação na bolsa de valores. “Essa questão é delicada. Como além de presidente, sou diretor de relações com investidores da Telebrás, tudo o que eu falar necessariamente tem reflexo no mercado”, declarou. Apesar do silêncio da estatal, fontes próximas dos arquitetos do projeto asseguram que a realocação dos 50 funcionários está em pleno andamento.