Os índices da Basiléia (BIS) dos três grandes bancos são semelhantes, a princípio, variando de 15% a 16,5% no primeiro trimestre. Contudo, a análise mais detalhada feita pelos analistas do HSBC evidencia a diferença em termos de qualidade, especialmente entre o Banco do Brasil (BB) e os demais (Itaú Unibanco e Bradesco), já que o Banco Central não exige a exclusão dos intangíveis do índice de Basiléia. Excluindo os intangíveis e estimativas de provisões excedentes de crédito, o Banco do Brasil teria um índice Basiléia de 11,4%, em contraste ao do Itaú Unibanco, com 14,8%, e do Bradesco com 14,3%. A força da adequação de capital dos bancos privados desperta segurança em meio à atual conjuntura de piora do índice de qualidade de ativos.

O Banco do Brasil ainda precisa consolidar a aquisição de 50% do Banco Votorantim, a qual, segundo a análise do HSBC, deve ser prejudicial ao índice de adequação de capital e causar aumento dos intangíveis no balanço. Isso deve adicionar mais pressão sobre o índice de Basiléia do BB. A estimativa dos especialistas do HSBC é de que o indicador caia para 10,3% ao final do segundo trimestre, mesmo incluindo os ganhos não recorrentes da possível Oferta Inicial de Ações da VisaNet.

Em uma conjuntura na qual o BB busca o crescimento do crédito à frente do setor como um todo, além da adequação mais fraca do capital e das pressões no índice de qualidade de ativos, o banco deve sofrer pressão adicional sobre os índices de capital. Um possível impulso não recorrente de capital para o BB, entretanto, seria um resultado positivo da ação judicial que visa recuperar os créditos tributários, a qual deve ser suficiente para evitar uma possível chamada de capital.

No relatório, os analistas do HSBC explicam que índice de Basiléia do Banco do Brasil, excluindo intangíveis e as estimativas de provisões excedentes de crédito, seria de 11,4% ao final do primeiro trimestre, pouco acima do índice mínimo de 11% exigido pelo BCB. A tendência do índice de Basiléia desde o quarto trimestre de 2007 e, em geral, de queda. A pequena alta do índice no último trimestre de 2008 ocorreu em virtude de uma mudança contábil não recorrente, estabelecendo a inclusão dos créditos tributários no capital. Fica claro que os índices de capital sofreram uma pressão maior no primeiro trimestre e que, desde o final de 2008, os intangíveis registraram aumento acentuado.

As estimativas para o segundo trimestre, incorporam o impacto esperado sobre a composição do capital no trimestre. Em primeiro lugar, o BB deve se beneficiar pela Oferta Inicial de Ações (IPO) da VisaNet, mas também é preciso somar o ágio da aquisição de 50% do Banco Votorantim, estimado em R$800 milhões, e o impacto negativo sobre o índice de Basiléia da consolidação do BV que, de acordo com as expectativas, pode deduzir em 0,9 ponto percentual o índice de Basiléia. O impacto geral é negativo para a adequação do capital e estimamos que o índice de Basiléia, excluindo intangíveis e as provisões excedentes para perdas com crédito, atinja 10,3% ao final do segundo trimestre deste ano, ou seja, 07 ponto percentual abaixo do mínimo exigido pelo BC, de 11%.

Mas os especialistas observam que o BB tem um possível “curinga” em mãos, pois entrou com uma ação judicial contra o governo brasileiro visando recuperar integralmente seus créditos tributários passados. A administração estima que um desfecho positivo da ação judicial pendente pode resultar na adição de 1,9% para o índice de Basiléia, equivalente a 64% dos intangíveis e, portanto, sustentar os índices de capital da instituição. “Nossa preocupação a respeito desse processo é que o desfecho e o momento são difíceis de prever”, alertam.

Crise didática

A euforia do crédito fácil chegou ao fim. Apesar dos indicadores de inadimplência demonstrarem maior estabilidade e a concessão de crédito já dar indícios de normalidade, a tendência é que as instituições financeiras sejam mais seletivas e rigorosas na hora de conceder o empréstimo.

– A inadimplência subiu nos últimos meses, mas não de forma explosiva. Ao mesmo tempo, deve se manter sob controle diante do maior rigor na concessão de crédito. Os sinais de estabilização ficam mais claros nos dados do Banco Central relativos ao mês de maio – diz o superintendente do Instituto de Economia e economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo.

O especialista não acredita em um crescimento elevado da inadimplência ao longo dos próximos meses, mesmo que haja um aumento da concessão diante dos alardes de que a crise está no fim.

– Não vamos retornar à mesma taxa de crescimento do crédito que foi registrada até setembro do ano passado. Todo mundo aprendeu com a crise. Foi uma crise didática, pois mostrou que estávamos indo muito longe – explica Solimeo.

Além de atuar na ACSP, Solimeo já prestou serviços de consultoria. Hoje, nas horas vagas costuma dedicar-se à leitura e torcer pelo Corinthians.

– Gosto de jogos de futebol – conta.

Haja coração agora na final da Copa do Brasil.

Tendências do setor imobiliário

O Painel do Setor Imobiliário, evento que discutirá as principais tendências do setor e suas relações com o mercado de capitais, acontecerá nesta segunda-feira na BM&FBovespa. O evento será dividido em quatro painéis que abordarão os seguintes temas: visão macroeconômica e setorial; visão dos agentes do setor imobiliário; fundos de investimento; visão dos distribuidores e dos investidores em produtos imobiliários.

Inclusão social

Na próxima terça-feira, às 10h30, o diretor executivo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Hélio Ribeiro Duarte, celebrará a assinatura junto à Prefeitura de São Paulo de um Termo de Cooperação para promover a inclusão profissional das pessoas com deficiência por meio da difusão do curso “Sem Barreiras”, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED). Trata-se de uma parceria da Secretaria Municipal do Trabalho (SMTRAB) e da SMPED com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP).