Clube de compra leva o luxo até os internautas

Gustavo Brigatto, de São Paulo
04/06/2009
Daniel Wainstein/Valor
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Pierre-Emmanuel Joffre, do site Coquelux: público selecionado para manter a exclusividade das marcas vendidas

O carrinho de compras dos internautas brasileiros está crescendo e ficando mais diversificado. Livros, produtos tecnológicos e eletroeletrônicos ainda estão na liderança dos itens mais procurados, mas ícones da moda como Guess, Roberto Cavalli, Moschino, Energie e Miss Sixty começam a figurar na lista de compra dos “e-consumidores”.

E quem busca na internet esses itens de luxo tem ganhado não só comodidade, mas também descontos. Por meio de sites conhecidos como clubes de compras, os internautas estão fechando negócios por preços até 80% inferiores aos das lojas físicas. “Esta semana comprei uma carteira Alexandre Hercovitch de R$ 67 por R$ 20”, diz Ana Paula Rosa Queiroz, cirurgiã-dentista de São Paulo. Ela e o marido estão cadastrados em clubes de compras. “Compro até mais de uma vez por semana”, conta.

Os clubes de compras, ou outlets virtuais, resultam da fusão do conceito de outlets ao das lojas virtuais. Eles oferecem aos internautas os produtos que não foram vendidos pelas grifes durante a estação ou nas liquidações. Para proteger as grandes marcas da popularização, o conteúdo só pode ser acessado por usuários convidados a fazer parte do ambiente. “A ideia é que as pessoas só vão convidar para a base quem acham interessante”, diz Pierre-Emmanuel Joffre, ex-executivo da LVHM e responsável, desde julho do ano passado, pelo Coquelux. Ele não revela o número de usuários cadastrados no site.

Além disso, as vendas são feitas com quantidade limitada de dias – três em média – e itens disponíveis. O modelo aguça o interesse do comprador por uma pechincha e ajuda a preservar a exclusividade dos produtos, mesmo com descontos agressivos.

“Estoque todo mundo tem, não dá para as grifes fazerem uma programação de vendas totalmente certa”, diz Juliana Messenberg, sócia do Superexclusivo. O site trouxe o conceito para o Brasil, no fim de 2007. Para as grifes, o clube de compras funciona como uma nova forma de girar uma mercadoria que em outra situação ficaria encalhada.

Em 18 meses, o Superexclusivo reuniu 67 mil pessoas cadastradas. As mulheres formam a maioria do público (70%). A proporção, diz Juliana, seria um reflexo do que acontece no mundo real. “Existem mais opções de lojas para mulheres do que para homens”, afirma a empresária. Junto com um sócio italiano, Juliana investiu R$ 380 mil para criar o Superexclusivo e um outro site de compras para varejistas do setor de moda.

A dentista Ana Paula diz nunca ter tido problemas com o tamanho de uma roupa ou ter ficado insatisfeita com uma peça comprada em um dos quatro clubes de compra existentes no país. “Os sites têm orientação sobre tamanho e medida. E as fotos mostram bem as roupas”, comenta.

“Os clubes de compra são a evolução do comércio eletrônico”, diz Paulo Humberg, empresário que já apostou em vários negócios na internet brasileira e que desde março lidera a operação local do alemão BrandsClub. Para o executivo, o negócio parece fácil, mas é “para gente capitalizada”. O BrandsClub tem planejados investimentos de US$ 15 milhões em dois anos. O objetivo é fechar 2009 com 1 milhão de cadastrados, chegando a 2 milhões no ano que vem. Hoje são 80 mil. “Quanto maior o negócio fica, maior o poder de compra”, diz Humberg.

Os espanhóis do Privalia também têm metas ambiciosas. “Acreditamos que podem chegar a vendas de € 4 milhões em 2009”, afirma Andrea Scarano, responsável pelo marketing da empresa na Espanha. Lançado em novembro do ano passado, o site tem 300 mil usuários cadastrados e almeja 700 mil até o fim do ano.

Para Joffre, do Coquelux, ter muitos usuários não é interessante. “Com muita divulgação você deixa de falar com um público exclusivo e selecionado”, diz. A aposta dele é no conceito de clube de oportunidade.