Com a Winbros, Probank prepara reestruturação

Ivo Ribeiro, de São Paulo
09/04/2009
 
 

O grupo mineiro Probank, que atua no setor de tecnologia da informação e em comunicações, acaba de ganhar um sócio. A Winbros Participações, Gestão e Empreendimentos, também de Minas, passará a deter 6% do capital da companhia, criada há 16 anos e cujo controle é integralmente familiar. A associação prevê um programa de reestruturação e a adoção de um novo modelo de gestão empresarial, mais dinâmico, e que permita à Probank dar passos mais ousados no futuro.

A partir de agora, os representantes da família – um irmão e duas irmãs – migram para o conselho de administração, que será composto também por dois membros da Winbros, os sócios Wilson Brumer e Romeu Scarioli. Nas próximas semanas, o conselho vai buscar no mercado um profissional para comandar a diretoria executiva, com perfil em linha com a nova visão de negócio da Probank.

Helon Machado, acionista da Probank e que ocupa o cargo de vice-presidente comercial, afirmou ao Valor que já vinham trabalhando essa ideia de reestruturação há algum tempo. “A Winbros nos apresentou um modelo diferente que nos atraiu”, disse. No novo modelo, Machado vai presidir o conselho. As mudanças englobam a criação de comitês, como auditoria, recursos humanos, sustentabilidade, finanças e de engenharia e desenvolvimento.

A holding Probank Participações controla três empresas – a PSA, de integração de sistemas, outsourcing e venda de equipamentos; PSC, uma fabricante de software, venda de licenças e consultoria adquirida em 2005; e a Via Telecomunicações, de São Paulo, comprada em 2003, que atua no setor de telecomunicações. Com faturamento de R$ 284 milhões no ano passado e lucro líquido de R$ 13,4 milhões, os principais clientes da Probank são do setor público. Destacam-se o Tribunal Superior Eleitoral, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federa, Cobra, Ministério do Trabalho e Emprego.

Machado diz que, com o expertise da Winbros em gestão, a empresa busca perenizar seu negócio e prepará-la para um processo de crescimento mais ousado. Esse caminho envolve, no prazo de dois anos, ou até antes, a busca de parceiros, seja via investidores no mercado de capitais ou por meio de outro modelo societário. “Nossa visão é de perpetuar o negócio num cenário de crise econômica e de restrição ao crédito e queremos estar preparados para a retomada da demanda no país.”

Outro objetivo com a parceria é ter mais dinamismo nos negócios para obter maior equilíbrio no portfólio de serviços. Atualmente, 80% da receita anual está concentrada em contratos com o setor público. “Vamos elevar nossa presença na área corporativa privada”, afirma, lembrando que há espaço para crescer muito também no segmento público.

Brumer, que já presidiu a Cia. Vale do Rio Doce, as antigas Acesita e CST, foi secretário de Desenvolvimento Econômico do governo de Minas e hoje preside o conselho da Usiminas, afirmou que a proposta da Winbros de participar da gestão da Probank visa desenvolver seu negócio e fazê-lo crescer, aproveitando o expertise da família e dotando a empresa de uma gestão mais ágil. Até o fim de 2010, ou até antes, se surgir um formato societário atraente, a empresa estará preparada para uma nova decisão, afirmou. “Ela não ficará parada frente a um processo de consolidação.”

Criada há dois anos, a Winbros visa desenvolver negócios na área de energias renováveis, além de promover fusões e aquisições. No ano passado, com o fundo Tarpon, montou a Omega Energia Renovável, que já tem projetos de 400 megawatts. Neste ano, foi escolhida para preparar a venda dos ativos de minério de ferro da Itaminas.