Sistema imunológico reinicializado

A maioria dos pacientes com esclerose múltipla, doença neurológica
crônica de causa ainda
desconhecida, tem episódios que são geralmente reversíveis. Mas,
com o tempo – geralmente de 10 a 15 anos após o início da doença
–, a maior parte desenvolve esclerose múltipla progressiva
secundária, que se manifesta na forma de danos neurológicos graduais
e irreversíveis. Um novo estudo, feito por pesquisadores de diversos
países, acaba de conseguir reverter déficits neurológicos em
estágios iniciais em pacientes com esclerose múltipla a partir do
transplante de células-tronco dos próprios indivíduos. As células
foram usadas para “reinicializar” seus sistemas imunológicos. 

A pesquisa, que será publicada na edição de março da revista The
Lancet Neurology, conta com a participação de Julio Cesar
Voltarelli, do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
(FMRP-USP),um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da
FAPESP.
O estudo foi liderado por Richard Burt, do Departamento de Medicina da
Universidade Northwestern, que colaborou com Voltarelli e o grupo do
CTC em www.agencia.fapesp.br/materia/6983 pesquisa sobre uso de
células-tronco em pacientes com diabetes tipo 1. O estudo agora
publicado foi feito com 21 pacientes, com idades entre 20 e 53 anos,
que foram submetidos a tratamento entre janeiro de 2003 e fevereiro de
2005. O trabalho indicou melhoria nos 24 meses seguintes após o
transplante, com o estado clínico se estabilizando posteriormente. De
acordo com os pesquisadores, os voluntários experimentaram melhorias
em pontos afetados pela esclerose múltipla, como o ato de andar, a
força nos membros, a perda da coordenação muscular, visão e
incontinência. Os pacientes foram submetidos ao transplante de
células-tronco hematopoiéticas autólogas após não terem
respondido ao tratamento padrão da doença com interferon beta por
pelo menos seis meses. No estudo, os cientistas trataram os pacientes
com quimioterapia para danificar seus sistemas imunológicos. 

Em seguida, injetaram as células-tronco obtidas do sangue de cada um
antes da quimioterapia, de modo a iniciar um novo sistema
imunológico. Três anos após o procedimento, 17 participantes (81%)
apresentaram melhoria em pelo menos um ponto na escala de desabilidade
e a doença se estabilizou em todos os 21. Apesar do sucesso, os
pesquisadores ressaltam que os resultados do trabalho precisam ser
confirmados por novos estudos. Burt, Voltarelli e colegas iniciarão
em breve uma nova fase da pesquisa, com um número maior de pacientes.
“Como extensão do trabalho agora publicado, passamos a ter no
Hospital das Clínicas FMRP-USP um estudo randomizado, colaborativo,
multicêntrico e internacional para testar esse tipo de transplante na
esclerose múltipla”, disse Voltarelli, que também é professor
titular do Departamento de Clínica Médica da FMRP-USP, à Agência
FAPESP.

O artigo Autologous non-myeloablative haemopoietic stem cell
transplantation in relapsing-remitting multiple sclerosis: a phase
I/II study, de Richard Burt e outros, pode ser lido por assinantes na
versão on-line da i>The Lancet Neurology em
www.thelancet.com/neurology. 

Fonte: Agência FAPESP 11/2/2009
http://www.agencia.fapesp.br/materia/10090/especiais/sistema-imunologico-reinicializado.htm

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