O Governo decidiu recriar um elefante branco. A Telebrás, antes combalida, voltará a atuar no mercado. A decisão já foi tomada e o presidente da estatal, Jorge Motta, que passava férias nos Estados Unidos, foi chamado às pressas ao Brasil, no dia 5 de janeiro, depois que um aporte do governo de R$ 200 milhões na empresa levou a uma valorização de 35% das ações na Bovespa – dias depois, os papéis voltaram a cair. Sem informações claras sobre os novos rumos da empresa, Motta precisou dar explicações à Comissão de Valores Mobiliários. “Não sou contra a privatização, sou contra o modelo que deixou os esqueletos todos na Telebrás”, disse ele à DINHEIRO. “Além disso, não posso falar, a CVM não refresca.” Ele garante que a Telebrás aumentará seu capital até abril.

Esse aporte faz parte de uma complexa arquitetura do governo, Ministério das Comunicações e Casa Civil, para dar vida à Telebrás. Mas a quem interessa? “Eu posso dizer a quem não interessa. Não interessa às operadoras que vão perder dinheiro”, encerra Motta. A primeira explicação do governo é que a empresa passará a operar os 16 mil quilômetros de cabo de fibra óptica, da falida Eletronet que estão desativados, para uso do próprio governo, como em programas de inclusão digital. “Brasília está em cima de milhares de cabos de fibra óptica, se a Telebrás fornecesse a banda larga, o governo economizaria R$ 400 milhões por ano”, disse uma alta fonte do governo. “Há ainda a questão de segurança, o nosso satélite está sendo explorado pela Star One, da Embratel, que é do Carlos Slim”, acrescenta um técnico do governo. “Poderia voltar para a Telebrás.”

De acordo com fontes do Ministério das Comunicações, a Telebrás não voltará a operar telefonia comercialmente. Os críticos alertam que a Telebrás foi uma holding, que controlava 27 subsidiárias, e nunca operou diretamente os serviços, por isso, embora ainda tenha 236 funcionários, a maioria lotada na Anatel, não tem experiência para atuar na banda larga, wireless nem inclusão digital. “A Telebrás, hoje, seria uma inútil, cara, ineficiente e um grande e potencial cabide de empregos”, diz o ex-ministro das Comunicações Juarez Quadros.

Istoé Dinheiro