Magnesita busca ganhos de eficiência

Após a compra da LWB, a busca da Magnesita será pelo ganho de eficiência. A nova multinacional brasileira, que já é conhecida pela elevada margem, a maior do mundo no setor de refratários, ao redor de 30%, irá implementar mudanças de gestão na LWB a fim de elevar a rentabilidade da empresa, que hoje tem margem de 18%.

As duas juntas devem ficar com uma margem de 24%. “Estamos buscando agora entender como e onde podemos evoluir. Nos próximos dias vamos começar a montar o orçamento. A primeira meta é buscar uma maior eficiência operacional e de gestão”, ressaltou o presidente da Magnesita, Ronaldo Iabrudi, em teleconferência ao mercado na manhã desta terça-feira.

Objetivo

O executivo destacou que a rentabilidade do setor nos Estados Unidos está em 21% e na Europa, o percentual é de 16%. “Nosso objetivo é de aumentar o retorno ao investidor. A aquisição é uma oportunidade de melhor atender nossos clientes que também são multinacionais”, explicou. Ele não descarta a possibilidade de realizar futuras compras. “Nossa meta é ser a maior empresa de refratários do mundo em 2012”, ressaltou o presidente.

A Magnesita, após a operação, tornou-se a terceira maior empresa de refratários do mundo, atrás da Vesuvius, que deve faturar cerca de 1,7 bilhão de euros neste ano, e a RHI, com 1,6 bilhão de euros. Junto com a LWB, a Magnesita deve faturar 894,2 milhões de euros em 2008. Sozinha, a Magnesita tem uma receita de 493,2 milhões de euros, em termos anualizados. Com relação ao Ebtida, as empresas devem atingir juntas 218,6 milhões de euros.

Sinergias

Dentre as principais vantagens da aquisição, Iabrudi destacou a exposição geográfica balanceada, com atuação em todos os principais mercados de refratários do mundo, além da diversificação da base de clientes, mantendo fortes relacionamentos globais.

Outro ganho é o aumento do portifólio de produtos, atendendo a todas as aplicações de refratários. “Vamos ter uma posição de liderança em refratários de magnesita e dolomita. Além disso, há a oportunidade de cross-selling mundial, baseada no acesso privilegiado a clientes em todos os continentes, ampliando oportunidades de crescimento das vendas no mercado mundial. Vamos registrar uma criação de valor significativa advinda de sinergias”, disse. A previsão é de um ganho de 25 milhões de euros em sinergias.

Subsidiária

A LWB passa a ser uma subsidiária da Magnesita. A aquisição custou 657 milhões de euros. Para realizar a operação, a Magnesita assumiu uma dívida de 386 milhões de euros, que está sendo refinanciada com o banco JP Morgan. O empréstimo-ponte tem prazo de seis anos, com 30 meses de carência.

A Magnesita também pagará em dinheiro 108 milhões de euros ao fundo de private equity Rhône Capital, dono da LWB, para quitar um empréstimo. E emitirá 23.457.778 ações, no valor de 169 milhões de euros, aos acionistas da LWB. Com a aquisição, a empresa se tornou mais alavancada. Hoje a relação da dívida sobre Ebtida está em três vezes.

O objetivo é que esse patamar recue para 2,5 vezes, considerado confortável pela companhia. “A melhora dos resultados, com os ganhos de sinergia vai provocar a queda da relação entre a dívida e o Ebtida”, explicou.

Com a nova estrutura acionária da Magnesita, a GP fica com 40,2%, a Gávea com 10,3%, a Rhône com 11% e o restante, 38,5%, nas mãos de investidores que aplicam na Bovespa. A diluição do capital foi uniforme para todo os investidores. A LWB se integrará à atual estrutura da Magnesita