Nova múlti brasileira, Magnesita compra LWB

Cynthia Malta
08/09/2008

Seguindo a trilha de outros grupos empresariais brasileiros que estão apostando firmemente na internacionalização dos negócios, a Magnesita, maior empresa de refratários do país e a 10ª do mundo, fechou ontem a compra da companhia alemã LWB por 657 milhões de euros. Essa operação, que fará da Magnesita a terceira maior do mercado mundial de refratários, não esgota o interesse de seus dirigentes em crescer por meio de aquisições. “Nós éramos uma empresa local. Agora, criamos uma multinacional”, disse ontem ao Valor o presidente da Magnesita, Ronaldo Iabrudi. “Nossa meta é ser a maior empresa de refratários do mundo em 2012. Nosso farol continuará em aquisições”, afirmou o executivo.
A Magnesita, empresa de capital aberto, e a LWB, que foi constituída em 2001 com a junção de três companhias centenárias, possuem um modelo de negócio semelhante – são donas das minas de matérias-primas usadas na fabricação dos refratários usados nos fornos das indústrias siderúrgica e cimenteira, seus principais clientes. “Mais de 60% do custo é matéria-prima e as nossas concorrentes precisam comprar matéria-prima, não são integradas”, explica Iabrudi. A LWB, que será uma subsidiária da brasileira, mantém unidades em três países, França, Estados Unidos e China, além da Alemanha. A principal mina da Magnesita, considerada a maior do mundo, é em Brumado, na Bahia.
Para fechar a compra por 657 milhões de euros, a Magnesita assumiu uma dívida de 386 milhões de euros, que está sendo refinanciada com o banco JP Morgan. O empréstimo-ponte tem prazo de seis anos, com 30 meses de carência. Também está desembolsando ? 108 milhões de euros em dinheiro e emitindo ações que colocam 11% da Magnesita nas mãos do fundo de private equity Rhône Capital, dono da LWB. A GP e a Gávea, que compraram a Magnesita há um ano, ficarão com 40,2% e 10,3%, respectivamente. Na Bovespa estão outros 38,5%.
Iabrudi comemorava ontem a possibilidade de, com esta aquisição, atender seus clientes brasileiros que operam no exterior. “A Gerdau, que é grande nos Estados Unidos, vivia nos pedindo isso. Agora vamos poder atender”, disse Iabrudi, que também avalia começar a vender refratários aos setores petroquímico e agrícola.