Allianz Global busca parceiros locais para distribuir suas carteiras no Brasil

Buscar parceiros brasileiros para distribuir seus fundos globais no país é a missão da vice-presidente para América Latina da Allianz Global Investors Advisory, Sabine Bettzüche, em sua segunda visita ao Brasil neste ano. Detentora de um patrimônio monumental, de US$ 1,9 trilhão captado em diversos mercados – um dos cinco maiores administradores de ativos do mundo -, o grupo Allianz, mais conhecido por aqui pela atuação no segmento de seguros, também quer deixar sua marca na área de gestão de recursos de terceiros. A idéia não é competir diretamente com os gestores locais, mas angariar instituições dispostas a oferecer a expertise internacional da Allianz na alocação de recursos nos quatro cantos do planeta. Com um time de analistas e de gestores de portfólio nada desprezível, composto por 940 pessoas, os chamados “fundos de tendência” são uma das especialidades que a Allianz vai colocar na mesa de negociações. Atualmente são seis fundos, com um patrimônio de 2,14 bilhões de euros, distribuídos em setores como energia, mineração, sustentabilidade, tendências ecológicas, agrícolas e demográficas. E uma nova carteira está sendo constituída para aplicar em ações da área de infra-estrutura. “A intenção é sempre converter megatendências, não meras tendências da moda, mas tendências gerais, em idéias de investimento”, disse Sabine ao Valor, antecipando o tema de sua apresentação no Fund Forum, que começa hoje em São Paulo. Entre as grandes tendências do mundo econômico atual, a executiva cita o movimento das commodities agrícolas, com aumento das taxas de inflação, não só pela maior demanda por alimentos da população mundial como também pela busca de fontes alternativas de energia. “O Brasil tem muito a oferecer com o etanol”, afirma. “É um produto que se apresenta como opção mais econômica e com maior proteção do entorno ambiental.” Com a procura crescente, argumenta, é razoável esperar que os investimentos em ações do setor resultem em bons retornos para os investidores no longo prazo. No seu Allianz RCM Global Agricultural Trends, com um patrimônio de 255 milhões de euros, há uma posição em Cosan. Nos fundos de tendência, que podem ser, grosso modo, comparados às carteiras setoriais brasileiras, o investidor precisa estar disposto a correr o risco de concentração. A diversificação do portfólio se dá pela divisão do patrimônio entre 30 a 80 companhias de mercados diversos. Um evento sistêmico poderia arranhar a rentabilidade. Por isso, as áreas de análise e gestão costumam privilegiar empresas que tenham escala e se mostrem competitivas nos mercados em que atuam. A liquidez dos ativos nas respectivas bolsas de valores é outro fator levado em conta, a fim de proporcionar retornos estáveis aos cotistas. “A composição é feita de forma que no fundo de agricultura, por exemplo, o investidor ganhe quer o açúcar caia, quer ele suba”, diz Sabine. No fundo global de infra-estrutura que está sendo desenhado, o Brasil, até pelas dimensões continentais e pela necessidade de investimentos no setor, deve ter papel de destaque. Os estudos da Allianz envolvem principalmente a área de transporte, incluindo as concessões rodoviárias, as ferrovias e o transporte público. Atualmente, a Allianz tem cerca de 3 bilhões de euros investidos na América Latina e administra mais de 1 bilhão de euros de clientes da região. No fundo dedicado ao chamado bloco dos Bric, sigla para Brasil, Rússia, Índia e China, quase um terço do portfólio, de cerca de 500 milhões de euros, está aplicado na letra “B”. “Se comparado à China ou a Rússia, o Brasil é o mais estável do ponto de vista político e econômico.” Da sua primeira visita ao país, na década de 90, Sabine diz agora ter encontrado “outro mundo”, com avanços para lá de relevantes. Apesar de a inflação estar mais alta do que o desejável, o governo foi bem-sucedido na sua batalha em prol da estabilização da moeda. O “investment grade” (o selo de economia não-especulativa), atribuído neste ano pela Standard & Poor’s e pela Fitch Ratings, referendam tal evolução, reitera a executiva. Na carteira global de mercados emergentes, o padrão é ter 7,5% em Brasil, mas a alocação atual é de 10%. “O mercado tem seus problemas como a concentração, com Petrobras representando cerca de 10% da capitalização, mas estamos ‘overweight’ (acima da média)”, diz Sabine. Para driblar essa questão, a gestão não compra o Ibovespa, mas pinça opções entre empresas menores. O segmento de consumo é um dos que vêm sendo monitorados de perto.