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Crédito bancário em forte expansão

Alex Ribeiro, de Brasília
26/08/2008

O crédito bancário seguiu trajetória de forte crescimento em julho e chegou a 37% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual mais alto registrado na série estatística do Banco Central, que começa em 1994. A autoridade monetária espera, porém, que o ritmo de expansão dos empréstimos tenha alguma desaceleração daqui para o fim do ano. “O que se espera é que o crédito sofra alguma acomodação no médio prazo, no fim do ano”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. “Não esperamos uma desaceleração profunda, mas deverá haver desaceleração, principalmente no crédito para consumo.”

Nos 12 meses encerrados em julho, o crédito bancário total, incluindo empréstimos livres e direcionados, cresceu 32,7%. O BC trabalha com o cenário de que, até dezembro, esse ritmo de expansão caia para algum percentual entre 20% e 25%. Se confirmado, ainda será um ritmo de expansão robusto, capaz de aumentar o volume de crédito da economia dos 37% do PIB observados em julho para 40% do PIB. Mas, de qualquer forma, representará uma desaceleração.

O BC espera que, nos próximos meses, o aperto na política monetária – que já provoca alta nos juros bancários – tenha efeito nos volumes contratados de crédito. Hoje, os bancos estão compensando a alta dos juros bancários com o alongamento do prazo das operações. “É uma forma de fazer as prestações caberem no orçamento dos clientes”, disse. “Mas essa é uma estratégia que tem limites.”

A expansão do crédito continua a ser puxada pelo segmento livre, ou seja, com taxas de juros pactuadas pelo mercado. Esse conjunto de operações cresceu 35,9% nos 12 meses encerrados em julho, abaixo dos 37% em período correspondente terminado em junho.

O ritmo robusto é puxado principalmente pelas operações contratadas com empresas, que cresceram 41% nos 12 meses encerrados em julho, mantendo o ritmo verificado no mês anterior. O crédito às pessoas jurídicas já vinha crescendo bastante em 2007, graças principalmente às operações contratadas com pequenas e médias empresas. Neste ano, ganhou impulso porque a crise reduziu a liquidez nos mercados internacionais e no mercado de capitais, fazendo com que as grandes empresas buscassem financiamento no mercado bancário doméstico.

O crédito a pessoas físicas cresceu 30,7% nos 12 meses encerrados em julho, abaixo dos 32,5% em período semelhante terminado em junho. No segmento de pessoas físicas, está havendo mudança na composição do crédito. As operações tradicionais, como crédito pessoal e financiamento de veículos, perderam um pouco da força, avançando 20% nos 12 meses encerrados em julho. Já as operações de “leasing”, sobretudo veículos, crescem 141,7% na mesma base de comparação. Em janeiro, o governo taxou as operações tradicionais de crédito com alíquota de IOF de 3,38%. O tributo deslocou parte da demanda para operações de “leasing”, isentas. A contratação de operações por meio de cartões também ganhou impulso, com avanço de 34,2%. O crédito direcionado, com juros tabelados pelo governo, cresceu 25,4% nos 12 meses encerrados em julho. Os destaques são o crédito à habitação (expansão de 30,2%) e o rural (28,1%). O crédito do BNDES cresceu 23,6%.