Brasil volta a ser importador de petróleo, diz ANP

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que o Brasil fechou o primeiro semestre de 2008 como importador líquido de petróleo e derivados, o que confirma a dificuldade que a Petrobrás enfrenta para sustentar a auto-suficiência nacional na produção de petróleo. Segundo a ANP, o País importou uma média de 97,9 mil barris por dia a mais do que exportou nos primeiros seis meses do ano.
As estatísticas da agência, que usa como base números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divergem dos dados divulgados pela estatal na semana passada. Segundo a empresa, a auto-suficiência teria sido retomada com o crescimento da produção no segundo trimestre. A balança comercial da companhia, disse o diretor financeiro, Almir Barbassa, fechou o semestre positiva em 27 mil barris por dia.

O diretor de Abastecimento e Refino da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, disse ontem, no Ceará, que a redução do volume de importação de diesel prevista para o segundo semestre deve anular o déficit do saldo. Ele lembrou que, principalmente por conta da demanda de energia térmica, foram importados em média 100 mil barris por dia no primeiro semestre, o que corresponde a 15% do consumo nacional.
Com a entrada do biocombustível, na proporção de 3%, há a expectativa de substituição de até 20% do diesel importado. Além disso, uma nova unidade de conversão de coque entrou em operação na Refinaria de Duque de Caxias (RJ), produzindo 12 mil barris de diesel por dia.
“Essas duas medidas já reduziriam para 68 mil barris por dia, se mantidas as mesmas condições de consumo do primeiro semestre”, comentou Costa.
O diretor da Petrobrás também destacou que, com a entrada em operação da refinaria de Pernambuco em 2011 e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) em 2012, o Brasil se tornará auto-suficiente em diesel.

DIFERENÇAS

Há basicamente duas principais diferenças entre os dados da Petrobrás e os da Secex. A primeira refere-se ao fato de a Petrobrás não contabilizar importações de petróleo e derivados por terceiros – o setor petroquímico, por exemplo, importa grande parte da nafta que utiliza. A segunda, diz a Petrobrás, é que a Secex considera apenas operações contabilizadas pela Receita Federal, procedimento que pode demorar até 60 dias.
Segundo os dados da Secex, o Brasil importou um total de 129,779 milhões de barris no primeiro semestre (73,989 milhões de barris de petróleo e 55,790 milhões de barris de derivados). As exportações no período somaram 111,864 milhões de barris (59,104 milhões de barris de petróleo e 52,760 milhões de barris de derivados). Juntando petróleo e derivados, o déficit totaliza 17,915 milhões de barris.
Trata-se da primeira vez, desde a conquista da auto-suficiência, em 2005, que o País fecha um semestre com saldo negativo no volume de importações. Do ponto de vista financeiro, os déficits são recorrentes, uma vez que os produtos importados são mais caros do que aqueles que o Brasil vende ao exterior. Neste ano, os especialistas no setor estimam que o déficit poderá chegar a até US$ 8 bilhões.
As dificuldades para o fechamento positivo da balança devem-se ao forte ritmo de crescimento do consumo, que chegou perto dos 10% no primeiro semestre. Só as vendas de diesel cresceram 10,7% no período – o Brasil sempre foi importador de diesel, uma vez que o petróleo nacional costuma produzir derivados mais pesados. A produção de petróleo, porém, cresceu apenas 2,7% nos primeiros seis meses do ano, atingindo 1,794 milhão de barris por dia.
De acordo com os dados da ANP, pode-se presumir que o consumo aparente de petróleo no Brasil chegou a 1,892 milhão de barris por dia no primeiro semestre deste ano. O consumo aparente é calculado a partir da soma de produção nacional e importações menos as exportações.

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