Agrenco sofre enquanto espera venda do controle

 

O JP Morgan corre contra o tempo para vender a Agrenco. A companhia, que já estava em situação financeira difícil desde o começo deste ano, agora definha por conta do escândalo envolvendo os três sócios controladores. 
A empresa enfrenta o desafio de tentar continuar operando enquanto o banco negocia a entrada de um novo controlador. A relação com os fornecedores ficou abalada e o clima de insegurança está levando à perda de funcionários. Os profissionais ligados às operações estão buscando outras oportunidades. Já os executivos que assumiram a empresa recentemente mantêm-se à frente dos trabalhos. 
O banco está em negociações com os três interessados em ficar com o controle da empresa: o grupo francês Louis Dreyfus, o asiático Noble e o suíço Glencore. Mas até agora nenhum acordo foi fechado. 

Em 20 de junho, os três principais controladores – Antonio Iafelice, Antônio Augusto Pires Jr. e Francisco Ramos – foram presos na Operação Influenza da Polícia Federal (PF), suspeitos por crimes como desvio de dinheiro da empresa, fraude de balanço e sonegação fiscal. Eles foram soltos depois da obtenção de habeas corpus. 
As decisões sobre o aporte de capital por um novo sócio estão nas mãos do trio de conselheiros que restou após a prisão dos executivos. José Guimarães Monforte, Cássio Casseb e James Wright dividem o conselho de administração. 
Quando assumiu a tarefa de negociar a venda a Agrenco, o JP Morgan também ficou responsável por administrar a ansiedade dos credores. No final de março, a companhia tinha R$ 50 milhões em caixa, para dívidas que somavam R$ 1 bilhão e venceriam em 12 meses. Mas, enquanto a solução não chega, é difícil conter as preocupações de fornecedores e funcionários. Sem contar os investidores. 

Nesta semana, um grupo de pequenos investidores individuais, conduzido por Waldir Corrêa, ex-presidente da extinta Associação Nacional dos Investidores do Mercado de Capitais (Animec), se prepara para enviar uma carta aberta à companhia, seus administradores, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Bovespa, questionando os acontecimentos. A comunicação também será direcionada ao Credit Suisse, banco que coordenou a abertura de capital em outubro passado, e à KPMG, auditoria independente que assina os balanços da empresa. 
As ações da Agrenco acumulam perda de 86,6% desde que estreou na bolsa paulista. Depois do escândalo com os controladores, os papéis, que foram oferecidos a R$ 10,40 na oferta inicial, não chegaram mais à cotação de R$ 2,00.  Na sexta-feira, a Agrenco atualizou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informações sobre sua base de acionistas. O Governo de Cingapura, que teve 5,1% das ações, não aparece mais como investidor. A venda dessa fatia, contudo, teve início antes dos problemas com a PF. A companhia ainda está oficializando decisões tomadas logo após a Operação Influenza. Somente em 11 de agosto, por exemplo, ocorrerá a assembléia da subsidiária Agrenco Brasil que tornará oficial a saída de Francisco Ramos do cargo de diretor de relações institucionais da empresa.

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