CONVERSA DE MERCADO

Por Ana Borges

Semana dos bancos

Os próximos dias serão voltados para os resultados do setor financeiro. As principais instituições divulgarão os seus balanços. Nesta segunda-feira, Bradesco anuncia o lucro do primeiro semestre e na terça é a vez do Itaú. O Unibanco anuncia no próximo dia 07. A pergunta é como virão os balanços diante do aumento da taxa de juros? Ainda é esperado um forte crescimento da carteira de crédito com destaque para o segmento pessoa jurídica, já que mercado internacional está menos favorável à captação externa por parte das empresas. Além disso, os números mais recentes do Banco Central ainda mostram uma significativa expansão do crédito nesse setor. Por outro lado, as despesas com provisão para devedores duvidosos de um modo geral deverão crescer em valor percentual acima do crescimento da carteira. A expectativa dos analistas do BES em relação à margem financeira é de que para aqueles bancos que apresentam uma maior concentração no segmento pessoa física deveremos observar uma manutenção da mesma ou o possível impacto positivo para alguns bancos devido ao resultado de tesouraria.

Mais bancos

Em julho, os preços das ações do setor financeiro apresentaram forte baixa de modo que a performance acumulada no ano se encontra abaixo do Ibovespa. Dentre os papéis que registram performance positiva desde janeiro estão: o Banco Nossa Caixa (79,61%), Banco Paraná (4,9%), Itaú (3,16%) e Bradesco (1,98%). A alta da Nossa Caixa é reflexo da possível aquisição ou incorporação pelo Banco do Brasil. No mês, alguns papéis apresentaram um retorno acima do Ibovespa: O Bic Banco (8,77%), Itaú (4,91%), Bradesco (3,80%), Unibanco (3,70). Os piores desempenhos ficaram com: Banrisul (-20%), Banco Pine (-8,64%), Banco Panamericano (-11,31%) e Banco Sofisa (-17,59%) mereceram maior destaque. No mesmo período, o Ibovespa acumula uma queda de 8,48% e no ano.

Perdigão: receitas e custos crescentes

O balanço do segundo trimestre da Perdigão divulgado esta semana mostrou uma forte pressão sobre as margens, reflexo do aumento dos custos dos grãos. Outro impacto negativo ficou por conta das mudanças no portfólio de produtos, pois o aumento da participação de produtos in natura, fruto da incorporação dos ativos da Eleva, levaram a um empobrecimento do mix em termos de valor agregado. Além destes fatores o câmbio valorizado seguirá pressionando a geração de caixa no curto prazo. No entanto, as perspectivas para a evolução comercial seguem positivas e as adversidades tendem a ser diluídas ao longo do tempo, o que faz os analistas ainda recomendarem compra para o papel. Na Lopes Filho, o preço alvo é de R$ 57,00 e no Banif R$ 58,00.

BDO Trevisan prevê crescer 30% em 2008

A BDO Trevisan, uma das maiores firmas de auditoria do país, revê suas expectativas e espera encerrar 2008 com crescimento na casa dos 30% e um faturamento de R$ 95 milhões, superando a alta de 17% do ano passado, quando registrou R$ 73 milhões. Os investimentos da empresa focaram em tecnologia de ponta e no time de profissionais. A empresa confirma também crescimento da carteira com mais de 900 clientes ativos.

Transparência premiada

O Troféu Transparência 2008 será entregue na próxima quinta-feira dia 07. O 12° Prêmio Anefac – Fipecafi – Serasa visa reconhecer as empresas brasileiras que buscam a excelência na transparência de informações. O evento começa às 10 horas, no Grand Mercure Hotel, sito à Rua Joinville, 515, Ibirapuera, São Paulo.

Experiência

Ricardo Florence, RI da Marfrig

Com atuação em grandes companhias do mercado financeiro, Ricardo Florence aceitou há cerca de um ano o desafio de estar à frente da área de Relações com Investidores da Marfrig, uma das maiores empresas produtoras de carne bovina e seus subprodutos da América do Sul. Florence antes atuava na área de RI da Brasil Telecom (2005 a 2007), também foi diretor de RI da UOL, entre 2000 e 2001, além de ter trabalhado na comunicação com o mercado do Grupo Pão de Açúcar.

A Marfrig teve o capital aberto em junho do ano passado e está entre as poucas companhias que registra valorização das ações desde o ingresso no mercado. A alta acumulada dos papéis neste ano é de 27,55% e desde junho de 2007, soma 15,4%. A companhia também já conta com a cobertura de 11 analistas. Mas nada vem de graça. A empresa também fez seu dever de casa e exibe práticas de governança ainda mais exigentes que as do próprio Novo Mercado. O seu conselho de administração é formado por seis membros, sendo três independentes. “Não temos partes relacionadas. Não temos a presença de uma grande quantidade de pessoas da família na gestão. Esse tipo de preocupação facilita o trabalho da área de RI que é subordinada diretamente à presidência”, diz.

A área de RI é estratégica para a Marfrig, que desde o ingresso na Bolsa precisou comunicar as diversas aquisições com vistas a fortalecer sua estratégia de ampliar negócios no segmento de produtos com maior valor agregado e para tornar-se outra companhia brasileira cada vez mais global. Para Florence, o desafio de estar à frente da comunicação com o mercado de uma companhia em expansão é grande. “A demanda pela área é elevada. Há o interesse pela empresa dentro e fora do Brasil”, conta.