Avaliar a universidade é preciso

Rankings de qualidade são todos sujeitos a chuvas e trovoadas. Dependem do que se queira dar prioridade na avaliação. Daí que o ponto crítico não são os indicadores utilizados, mas com que objetivo eles entram na dança.

Os que objetivam comparar universidades e faculdades não fogem à regra. Há vários rankings internacionais em que escolas brasileiras são avaliadas e agora haverá um, patrocinado pelo próprio Ministério da Educação, conforme apurei em Brasília, nesta semana, depois de uma longa entrevista com o ministro Fernando Haddad (prevista para ser publicada no IG na semana que entra).

Hoje mesmo, sábado, saiu na “Folha” uma notícia a respeito de um ranking de universidades, elaborado pelo Conselho Superior de Pesquisas Científicas, órgão oficial do governo espanhol, vinculado ao ministério da Educação. Nesse ranking, a Universidade de São Paulo é a única instituição brasileira classificada entre os 200 primeiros, ocupando a 113ª posição. As outras duas universidades brasileiras listadas são a Unicamp (212ª) e a UFRJ (330ª).

Denominado “Webometrics”, o ranking espanhol compara a produção científica das escolas, com base no número de acessos, via internet, dos artigos publicados em periódicos acadêmicos, obviamente em suas versões online. A avaliação é semestral e, no ranking de julho deste ano, foram avaliadas 16 mil instituições, das quais resultou uma lista com 4 mil delas. A mais bem colocada entre as latino-americanas, no 51º lugar, é a Universidade Autônoma do México. As 25 primeiras da lista são americanas.

Medir a produção científica, por meio da quantidade de acesso aos trabalhos publicados, é uma forma interessante de avaliar o nível de qualidade de uma universidade ou faculdade. Para chegar lá, a escola terá de formar bons pesquisadores e assegurar condições para que desenvolvam seus estudos. Mas isso não é tudo quando se quer transmitir conhecimento para a vida prática.

O próprio caso brasileiro é um bom exemplo do quanto o conceito é limitado. A produção científica brasileira, fundamentalmente de responsabilidade das universidades públicas, é bem situada em termos internacionais, mas disso não resulta desenvolvimento tecnológico compatível.

No volume de artigos publicados e de citações em revistas internacionais, — um indicador adequado da produção científica –, autores brasileiros superam os asiáticos, tão louvados entre nós como exemplo de produção científica. Mas, no número de patentes internacionais obtidas – o indicador da criação de tecnologia – amarramos o rabo da fila. Brasileiros mal depositam, nos Estados Unidos, a cada ano, 5% do total de novas patentes coreanas.

O novo indicador do MEC não atenderá diretamente os itens levados em conta no “Webometrics”, para avaliar a produção científica acadêmica. Seu objetivo é pontuar a qualidade do ensino nas universidades e faculdades, combinando as notas dos alunos nos exames nacionais, no ingresso e fim do curso, a avaliação que eles fazem do curso e dos seus professores, o número de professores com doutorado e de professores em tempo integral.

Pode não ser o fim da história, dispensando correções e ajustes de rumos. Mas, ao apontar objetivos e metas a serem perseguidos pelas instituições, é, muito provavelmente, um bom jeito de ir mais longe e mais rápido na formação de um sistema de ensino superior capaz de dar respostas eficazes aos desafios da difusão do conhecimento no século XXI.

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