| Valor de bancos médios cai 34% depois dos IPOs
Raquel Balarin e Vanessa Adachi, de São Paulo
O mercado de ações não está bom para ninguém – o índice Bovespa caiu 6,86% neste ano -, mas os bancos de médio porte que abriram capital no ano passado chamam a atenção pelo seu péssimo desempenho na bolsa. Desde a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), nove bancos médios perderam até agora R$ 6,4 bilhões de seu valor de mercado, ou 34%, em média. Entre as empresas que fizeram essas ofertas nos últimos três anos, o setor financeiro foi o que mais sofreu com a instabilidade no mercado. |
| O Banco Cruzeiro do Sul, que lançou ações em bolsa em junho do ano passado, teve uma desvalorização de 56,45% até o dia 30 de julho. No mesmo período, Itaú PN subiu 19,63% e Bradesco PN avançou 23,71%. O Pine, primeiro a fazer o IPO, em março de 2007, já acumula queda de 52,05% e agora vale R$ 828 milhões. Considerado o mesmo período, as ações do Itaú registram queda de 0,27% e as do Bradesco sobem 10,40%. |
| Esse comportamento não faz justiça à performance operacional dessas instituições, que estão capitalizadas e apresentam grande crescimento nas suas carteiras de crédito. Fausto Vaz Guimarães Neto, do Cruzeiro do Sul, diz que o desempenho se deve ao mau humor dos investidores institucionais estrangeiros, principais compradores das ações dos bancos – no Indusval, compraram 90% das ações vendidas. Com a crise do mercado imobiliário americano, que afetou os resultados dos bancos estrangeiros, os grandes fundos de investimento decidiram sair do setor financeiro. “Não importava se a instituição era do Brasil, da Rússia ou da Ucrânia, houve venda generalizada de ações”, diz Luiz Masagão Ribeiro, um dos controladores do Banco Indusval. |
| No lançamento das ações, o quadro era de taxa de juro em queda e expansão do crédito ainda mais acelerada. Mas os bancos enfrentaram alguns contratempos neste ano. Desde maio a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido está maia alta, passou de 9% para 15%. O juro básico aumentou 1,75 ponto percentual neste ano. Além disso, o custo de captação dos bancos de médio porte também foi pressionado pela elevação das taxas pagas aos investidores pelos Certificados de Depósito Bancário (CDB) nos grandes bancos de varejo. O crédito consignado, que crescia a taxas chinesas, vem desacelerando. |