KPMG poderá revisar balanço da Agrenco

A empresa de auditoria KPMG poderá revisar os balanços financeiros da Agrenco à procura de indícios de fraudes. A companhia do setor de agronegócios diz que está negociando com a auditoria a solicitação dessa nova verificação das demonstrações financeiras. A KPMG aprovou as contas da empresa no ano passado sem fazer nenhuma ressalva.
Por conta de uma investigação da Polícia Federal, três sócios da Agrenco foram presos, em Santa Catarina, sob suspeita de crimes de desvio de dinheiro da companhia, sonegação de impostos e fraude de balanço, entre outros.
Segundo a PF, a empresa foi usada pelos sócios para a realização de negócio fictício de exportação de soja. Em uma operação, Agrenco teria pago R$ 2,8 milhões por um carregamento que não existiu, sendo o dinheiro dividido entre os participantes do esquema.
O problema não foi identificado pela KPMG, responsável por assinar as demonstrações financeiras da empresa há quatro anos. O presidente da KPMG no Brasil, David Bunce, diz que o trabalho do auditor é feito por amostragem e que, nesse cenário, há risco de que alguma operação problemática passe despercebida. “Mesmo que o negócio fictício apontado pela polícia tenha ocorrido, acho pouco provável que haja muitas operações do tipo, pois dificilmente não cairiam na amostragem”, destaca.

O executivo afirma que ficou surpreso com as notícias sobre os problemas na Agrenco. Segundo ele, todas as análises feitas pela auditoria mostram que o balanço reflete a real situação financeira da companhia. “Se é que tem alguma fraude ou distorção, deve ser pequena, nada que altere a decisão de investimento na empresa.”
Para Bunce, o objetivo do auditor não é detectar fraude. Entretanto, caso se depare com alguma irregularidade ou com controle que não esteja funcionando, o profissional deve avisar a empresa para tomar as medidas necessárias, segundo ele. “No caso de suspeita de fraude que envolva os diretores da companhia (que é o caso da Agrenco), deve-se avisar os conselheiros de administração”, explica.
O presidente da KPMG não esclarece, porém, se a auditoria chegou a alertar a direção da Agrenco ou o conselho sobre alguma suspeita de irregularidade. Ele afirma ainda que tem “confiança” nos métodos de análise usados pela empresa e que não vê necessidade de revê-los.