A Agrenco , que presta serviços de comercialização e logística para a cadeia de agronegócios, está preparando-se para um possível aporte de capital pelos sócios. “A crise nos Estados Unidos deixou o mercado de crédito muito fechado. Esperávamos trocar mais facilmente nossos vencimentos de curto prazo”, explicou o gerente de relações com investidores da empresa, Marco Antônio Modesti.
A empresa convocou assembléia para dia 11 de julho na qual propõe o aumento do capital. Na prática, significa que pode emitir pouco menos de 51 milhões de ações tão logo o conselho de administração decidir. Pelos preços atuais na Bovespa, a operação significaria o ingresso de R$ 110 milhões em seu caixa. O valor é quase 80% inferior ao que a mesma quantidade de ações poderia trazer na época da estréia na bolsa. Os recursos ajudariam a melhorar as condições de crédito da companhia.
As ações caíram 79% desde a abertura de capital, em outubro do ano passado, quando foram lançados por R$ 10,40. Na terça-feira chegaram ao menor preço histórico, R$ 2,12. Ontem, encerraram o pregão com alta de 2,36%, em R$ 2,17.
Segundo Modesti, não é certeza que a administração decidirá pelo aumento de capital. “Tudo vai depender das condições de mercado. Se conseguirmos uma linha de crédito em condições adequadas, isso não será necessário.” O executivo ressaltou ainda que a companhia tem consciência que uma chamada de capital quando as ações estão desvalorizadas no mercado não é a melhor opção.
A Agrenco encerrou março com uma dívida líquida de R$ 1,2 bilhão. Desse total, cerca de 80% têm vencimento em 12 meses. Em caixa, contava com R$ 52, 5 milhões. “Precisamos readequar nossa estrutura de capital”, admite Modesti. A definição sobre uma possível nova emissão de ações deve ocorrer nos próximos dois meses.
Somente nos três primeiros meses deste ano, sua necessidade de capital de giro chegou perto de US$ 400 milhões. Para fazer a frente a essa demanda, a companhia contratou, entre janeiro e março, cerca de R$ 370 milhões com bancos.
Os recursos foram necessários, especialmente, para o financiamento de estoques. Além disso, a continuidade do projeto de bioenergia da empresa demandou investimentos da ordem de R$ 142 milhões nas unidades em construção. A produção só deve ter início no fim deste ano.
Diante da necessidade de capital, a companhia teve que tratar também de resolver uma questão que não é de sua exclusividade: uma cláusula no estatuto que impede que novos acionistas façam ou elevem suas posições no negócio, conhecidas como “pílulas de veneno”. Desde meados do ano passado, especialistas apontam para o uso abusivo de tal mecanismo entre companhias brasileiras.
No caso da Agrenco, aquele que atingir uma fatia de 20% do capital da empresa é obrigado a fazer uma oferta de compra pelas ações de todos os demais acionistas. A proposta da empresa que também será levada à assembléia no dia 11 é elevar esse percentual para 25%.
“Atentamos para esse problema logo depois da estréia na bolsa.” O principal acionista é o fundador do negócio Antônio Iafelice, que possui 48,3% do capital da empresa. Mas o negócio ainda conta com o governo de Cingapura (5,1%) , um fundo do Credit Suisse (6,9%) e o MFC Global Investments (10,3%) como sócios. Modesti admite que a pílula é uma cláusula limitadora. “Protege de uma oferta hostil, mas dificulta parcerias estratégicas .”
Antes mesmo de tomar as medidas para um possível aumento de capital, a companhia já vinha buscando se aproximar dos investidor. Em abril, realizou reuniões com fundos estrangeiros.
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