Com dívidas de US$ 600 milhões,

a Agrenco busca uma solução

que envolve a venda do

controle da empresa. “Não tenho

o fluxo de caixa na mão para precisar

quanto tempo ainda temos,

mas o tempo para a finalização

da transação contará para a decisão”,

afirmou José Guimarães

Monforte, um dos conselheiros

da Agrenco, em entrevista recente.

“O desejo principal é dar continuidade

ao modelo de negócio

da Agrenco. Conhecer o negócio,

decidir rápido e oferecer o melhor

valor para os acionistas são

as características que vão definir

a melhor proposta.” Os conselheiros

Monforte e James Wright

estão à frente do processo de restruturação

da empresa, após a

prisão dos seus principais executivos,

Antônio Iafelice, presidente,

Francisco Ramos , diretor institucional

e Antônio Augusto, diretor

de operações, ocorrida em

20 de junho deste ano. Logo após

a acusação, os executivos foram

exonerados e houve mudanças

no Conselho de Administração.

Monforte e Wright permaneceram

e entrou um novo nome,

Cássio Casseb, ex-presidente do

Banco do Brasil. A administração

executiva ficou comporta pelo

diretor de relações com os investidores,

Theodorus Antonio Zwijnenberg

e Fábio Russo, presidente

da Agrenco Itália passou a

presidir a empresa brasileira.

A Agrenco negociava com o

grupo francês Louis Dreyfus

Commodities um aumento de capital

de US$ 65 milhões, que lhe

daria um crédito rotativo de US$

35 milhões e uma linha de financiamento

de longo prazo de US$

150 milhões. Depois iniciou conversações

com a Noble, de Hong

Kong. A proposta mais nova veio

da multinacional suíça Glencore,

mas não foi tornada pública. Segundo

Monforte, as propostas das

duas empresas também são boas.

Tendo em vista que o processo relativo

aos ex-executivos, acusados

de fraude a simular venda de soja,

lavagem de dinheiro, falsificação

de documentos e corrupção passiva,

a companhia está impedida

de prestar quaisquer informações

relativas aos supostos atos ilícitos,

podendo se manifestar apenas

em relação aquilo que diga

respeito à própria Agrenco.

Em seu site, a empresa informa

que nem ela, nem qualquer

de suas controladas ou subsidiárias,

“são partes do processo, que

versa exclusivamente sobre supostos

atos ilícitos que teriam sido

cometidos por três de seus exadministradores”.

Duas operações

da Agrenco, realizadas durante

a gestão dos referidos exadministradores,

estão sendo investigadas

no processo. Tais

transações envolvem valores de

R$ 4,16 milhões (US$ 2,6 milhões)

e R$ 2,45 milhões. A primeira

operação diz respeito a

um mútuo no valor de R$ 4,16

milhões (US$ 2,6 milhões) junto

a Agrenco do Brasil S.A, que, de

acordo com o que consta do Processo,

não teria substância econômica.

A segunda, é uma transação

de exportação de soja supostamente

simulada, no valor

de, aproximadamente R$ 2,45

milhões. Conforme o site, a soma

de ambas as operações questionadas

é, portanto, de R$ 6,61

milhões. em 2007, sua receita

bruta foi de R$ 3,4 bilhões.

L.R.