“Nunca antes, na história deste país…”

Déficit em transações correntes e remessas de lucros batem recordes

O saldo negativo de US$ 17,4 bilhões em transações correntes é o pior resultado para a série histórica, iniciada em 1947, de acordo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes. O déficit de junho (US$ 2,596 bilhões) é o pior resultado para o mês de junho desde 1999, quando o déficit foi de US$ 2,926 bilhões.

Lopes argumenta que o resultado em transações correntes ainda é relativamente baixo na comparação com outros países, como a Índia (1,2% do PIB em 2007), a Colômbia (4,9% do PIB em 2007) e com a Croácia (8,5% do PIB no ano passado.

O rombo, porém, não foi sequer compensado pelo ingresso de investimentos estrangeiros diretos (IED): US$ 16,7 bilhões, contra US$ 20,8 bilhões em igual período do ano passado. Enquanto isso, o envio de lucros e dividendos do Brasil para o exterior quase dobrou, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram US$ 18,993 bilhões apenas nos seis primeiros meses do ano.

O valor é 93,67% maior que o registrado em igual período de 2007. Para o economista Paulo Passarinho, vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RJ), as remessas líquidas de lucros e dividendos são o principal responsável pela deterioração das transações correntes.

“Valorização cambial e crescimento aumentam a rentabilidade em dólares dos investimentos e o efeito da escassez de liquidez internacional, proveniente da crise norte-americana, fazem com que multinacionais acelerem o envio de lucros às suas matrizes”, afirmou o especialista.

“Confirma-se agora o quadro de dependência de aplicações financeiras ou recursos para aquisição de empresas, evidenciando o equívoco de uma política que amplia o endividamento público, nos torna dependentes de capitais especulativos e desnacionaliza o parque produtivo nacional, entre outras graves mazelas”, protestou.