Eike Batista promete indenizar compradora da mineradora MMX

O empresário Eike Batista, fundador da MMX, disse que está disposto a indenizar o grupo Anglo American no caso de o inquérito da Polícia Federal (PF) resultar em problemas com a concessão para operar a Estrada de Ferro do Amapá (EFA). A informação foi fornecida em conferência telefônica convocada ontem de manhã para explicar a investidores os inquéritos da PF que atingem a companhia.
Mesmo considerando falsa a acusação sofrida, de influir na licitação da ferrovia, Batista disse na teleconferência que, para ele, “o pior cenário” seria esta investigação se transformar numa potencial ação judicial, que pode se arrastar por alguns anos. O responsável pela área jurídica do grupo, Paulo Gouveia, informou que ainda não existe nada nesse sentido e nem mesmo um pedido de cancelamento da concessão da EFA. “O que existe é apenas uma investigação preliminar da Polícia Federal”, disse.
Em comunicado divulgado ontem, a Anglo American informou que “receberá informações sobre as investigações, as quais os acionistas vendedores concordaram em disponibilizar com a urgência possível, como parte das providências que antecedem a conclusão do negócio”. A mineradora sul-africana informou ainda que ela e os vendedores vão tomar decisões sobre as condições pendentes do negócio e os respectivos direitos e obrigações previstos nos contratos “à medida em que as informações fiquem disponíveis”.

Cynthia Carrol, presidente da Anglo American, disse ter “muita confiança nos parceiros brasileiros”, que conseguiram um grande progresso ao desenvolver os projetos de minério de ferro Minas-Rio e Amapá. “A MMX prometeu total cooperação conosco e iremos analisar as informações fornecidas assim que as recebermos. Minha expectativa é que estas questões sejam resolvidas satisfatoriamente”, afirmou.
Tão logo chegou ao Rio, interrompendo suas férias no exterior, Eike Batista convocou a teleconferência, feita em inglês, conforme aviso distribuído pela MMX a analistas e investidores, para falar sobre as investigações da PF. Segundo ele, as três acusações são “falsas e totalmente infundadas”. A Polícia Federal, segundo afirmou, cometeu um “erro gigantesco” ao acusar sua empresa. Ele disse que analisou as informações da PF com a assessoria jurídica do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.
Ele rebateu como “infundadas” as acusações de contrabando de ouro e de contratação de serviços de empresas ligadas ao governo do Amapá. “A MMX nunca produziu nenhuma grama de ouro”, afirmou. Para ele, a acusação de contrabando de ouro foi a “maneira encontrada para colocar a Polícia Federal no assunto, porque as outras acusações seriam investigadas pela polícia do Estado (Amapá)”. Sobre a acusação de influência na licitação da Estrada de Ferro do Amapá, que também considerou falsa, Batista rebateu: “Não houve nenhuma restrição na concorrência. Apenas fomos o único grupo a depositar garantias e fazer uma oferta pela concessão”.

A teleconferência de Batista não impediu que as ações da MMX continuassem em queda na Bovespa, apesar da recuperação dos papéis de suas outras empresas – a OGX e a MPX. Para analistas que participaram da apresentação, o fechamento do negócio entre a MMX e a Anglo American, que deve acontecer no dia 21, não deverá sofrer impacto por conta da investigação da PF. Mas eles temem que os negócios de Eike Batista, das áreas de petróleo, logística e mineração, possam ser afetados pelos projetos do governo, anunciados recentemente pelo ministro de Minas Energia, Edison Lobão, de alterar a legislação dos portos, criar royalties sobre a atividade de mineração e mudar o futuro do pré-sal, criando uma empresa separada da Petrobras. “O Eike virou alvo do governo”, disse um interlocutor, para quem este é o risco maior para os negócios do bilionário.
A MMX confirmou ao Valor a contratação de Márcio Thomaz Bastos para a avaliação da investigação da PF.