Zulmira Furbino, Marta Vieira, Izabela Ferreira Alves/Estado de Minas
Às vésperas da data-base das principais categorias de trabalhadores brasileiros em empresas privadas – como metalúrgicos, bancários e eletricitários e telefônicos –, o Brasil enfrenta uma série de greves, manifestações e ameaças de paralisação do funcionalismo público federal, em muitos casos antes mesmo do período de vencimento do acordo coletivo do ano passado. Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Minas, Marco Antônio de Jesus, as campanhas salariais deste semestre também deverão ser duras na iniciativa privada. “As negociações até agora têm ocorrido com muitas paralisações, porque as empresas dificultam o diálogo com os trabalhadores, apesar dos altos lucros”, afirma.
Na segunda-feira, os funcionários dos Correios, em greve desde o dia 1º, fizeram uma manifestação diante do Palácio do Planalto. Com data-base em 1º de agosto e audiência no Tribunal Superior do Trabalho (TST) marcada para esta terça-feira, eles querem que o governo federal cumpra um acordo fechado em novembro do ano passado, no qual os salários dos carteiros ganhariam 30% de adicional de risco e seria criado um plano de cargos e salários para a categoria. Na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os servidores entraram em greve em 30 de junho, levando a Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed) a impetrar oito mandados de segurança para a liberação de produtos de saúde que estão parados em portos e aeroportos.
Os funcionários da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ligada ao Ministério da Fazenda, devem cruzar os braços nesta terça e quarta para cobrar o cumprimento de um acordo com o governo, assinado em 12 de junho, que trata do reajuste salarial. No INSS, os servidores tentam negociar a incorporação das gratificações aos salários-base. “Queremos acabar com os penduricalhos. O volume de gratificações no salário da categoria já é maior do que o salário de referência”, explica a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social, Maria Aparecida de Godoy. Enquanto isso, os aeroportuários conseguiram uma contraproposta da Infraero para suas reivindicações e vão apresentá-las à categoria entre os dias 22 e 24.
Os petroleiros também fazem parte das categorias insatisfeitas. Eles recusaram a proposta de R$ 12 mil a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), de 2007, feita pela Petrobras, e não descartam a possibilidade de greve. “Queremos 25% dos dividendos aos acionistas e não 12,8%”, afirma o diretor do Sindipetro-MG, Marco de Oliveira. Na Bacia de Campos, a categoria entrou em greve por causa do dia de desembarque. O Sindicato do Norte Fluminense explica que os funcionários trabalham 14 dias, mas não chegam a terra firme no 15º. No entanto, não recebem pelas horas em que permanecem parados na plataforma. A redução total da produção, até as 12h de segunda-feira, alcançava 136 mil barris/dia, ou cerca de 7% da produção nacional.
Apesar disso, na avaliação do presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Osmani Teixeira, o movimento não configura uma pressão atípica. No ano passado, em todo o país, houve 316 greves, que tiveram como resultado a paralisação de 29 mil horas de trabalho. Os empregados do setor público responderam por 51% dos movimentos, conforme balanço divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).