Fusões e aquisições devem diminuir
As operações de fusões e aquisições devem diminuir no mundo no segundo semestre do ano, de acordo com estudo realizado pela KPMG. “Após o pico de 2007, os negócios já começaram a desacelerar e há evidências de uma queda ainda maior nos próximos meses na capacidade das empresas para realizar as transações”, afirma Luís Motta, sócio da auditoria no Brasil.
O estudo se baseou na análise de mil companhias de diversos países e de dois indicadores: a relação entre a dívida líquida e o lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciações (lajida) e a relação entre preço das ações e lucro.
Segundo Motta, o indicador de endividamento subiu no primeiro semestre deste ano, na comparação com o final de 2007, enquanto o de preço caiu. “Quanto mais endividadas as empresas, mais difícil que elas mantenham o ritmo de fusões e aquisições”, diz. Os preços mais baixos sinalizam que os investidores apostam em um menor crescimento das companhias.
O aumento do endividamento ocorreu em todas as regiões do globo. A Europa apresenta o índice dívida líquida/lajida mais alto, de 0,97 vez. O menor índice é o da África e Oriente Médio, de 0,51. A América Latina tem 0,95.
Em relação ao segundo indicador, houve um declínio na valorização das ações em todo o mundo, com exceção da América Latina, que viu a relação de preço e lucro subir 6,3%. A melhor situação da AL mostra que as fusões e aquisições ainda devem ser fortes na região, embora a tendência também seja de desaceleração. Outra pesquisa da KPMG, referente ao Brasil, mostra que o número de operações do segundo trimestre deste ano (168) já é menor que o do mesmo período do ano passado (182). “Como as ofertas de ações diminuíram, as empresas perderam o combustível para as transações.”
Entre as razões para a queda das fusões e aquisições no mundo está a crise do subprime. “Há menos recursos disponíveis para financiar as operações”, afirma Motta. Um setor distante desse movimento é o petrolífero. Com a alta do petróleo, os preços das empresas sobem e os resultados melhoram.
De janeiro a maio, houve 15.968 fusões e aquisições no mundo, no valor de US$ 1,42 trilhão, com queda em relação aos 19.784 acordos da segunda metade de 2007, no valor de US$ 2,16 trilhões.