SÃO PAULO – A Polícia Federal (PF) acusa o investidor Naji Nahas de usar informação privilegiada para especular no mercado de ações. Ele teria obtido informações privilegiadas até sobre o corte de 0,5% da taxa do Banco Central americano (Fed), ocorrido em 19 de setembro de 2007.
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Nesta terça-feira, a PF cumpriu 17 dos 24 mandados de prisão e apreendeu mais de R$ 1 milhão em dinheiro, além de carros de luxo, computadores e decumentos durante a Operação Satiagraha, desencadeada em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. Entre os presos, além do investidor Naji Nahas, estão o empresário Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, o e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Eles passam a noite em celas separadas na sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.
O outro caso apurado sobre Nahas envolve o anúncio do megacampo de petróleo Tupi feito por Haroldo Lima, diretor da Agência Nacional do Petróleo, em 14 de abril de 2008.
Nahas usaria as informações fazendo aplicações em nome de terceiros. Relatório da PF mostra diálogos entre Nahas e o doleiro Miguel Jurno Neto, nos quais o investidor “solicita a compra de mais ações” da Petrobras. Jurno Neto alerta Nahas de que as ações da companhia “estavam caindo”, mas o investidor diz para o doleiro fazer o que estava “mandando” e para “não comentar nada”.
As conversas ocorreram nos dias 7 e 8 de agosto, uma semana antes do anúncio feito por Haroldo Lima.
As conversas foram consideradas pela PF como “importantes indícios de suposto conhecimento de Nahas a respeito de informações privilegiadas relacionadas com o mercado de ações”.
As prisões
| AE |
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| Celso Pitta, um dos presos na operação |
Segundo a PF, foram decretadas as prisões temporárias de Dantas, Nahas e outras 20 pessoas ligadas a eles. Pitta é uma das pessoas relacionadas na suposta quadrilha de Nahas. Os policiais ainda cumpriram os 56 mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça, sendo 28 em São Paulo, 16 no Rio de Janeiro, um em Brasília e outro em Salvador.
A operação
Segundo a PF, cerca de 300 policiais participaram da operação que tem como objetivo desmontar um suposto esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com a polícia, as investigações iniciaram há quatro anos, como desdobramento do caso “Mensalão”.
A partir de documentos enviados pelo Supremo Tribunal Federal para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 2ª Vara Criminal Federal. Na apuração, teriam sido identificadas pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos.
O grupo investigado, que seria comandado por Daniel Dantas, é suspeito dos crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Dantas também irá responder por suspeita de espionagem e de tentativa de corrupção de um delegado cujos primeiros nomes são Vitor Hugo.
Ainda de acordo com a investigação, foi descoberta a existência de um segundo grupo que atuava no mercado financeiro para “lavar” o dinheiro desses desvios. A PF apurou que este grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas. Há indícios que as duas organizações atuavam de forma interligada.
O Ministério Público Federal e a PF pediram também a prisão do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal, mas o juiz federal Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-la.
Na avaliação do procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo caso e autor dos pedidos de prisão, “a investigação da Polícia Federal já se deparou com indícios suficientes dos crimes financeiros de gestão fraudulenta, operação ilegal de instituição financeira, evasão de divisas e concessão de empréstimos vedados, além de uso indevido de informação privilegiada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e formação de quadrilha”.
A polícia esclareceu ainda que esta operação não tem relação com a Operação Chacal (caso Kroll), na qual Dantas já responde a ação penal. “As investigações em curso partiram de informações enviadas pelo Supremo Tribunal Federal atendendo requerimento do Procurador Geral da República, Antonio Fernando Souza, no processo do mensalão”, diz.
Suborno de US$ 1 milhão
| Divulgação |
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| Dinheiro que seria sido usado em suborno |
Em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira na sede da Polícia Federal, o delegado Protógenes Queiroz, que comandou a operação, deu detalhes de uma suposta tentativa de suborno de um dos delegados que participa da ação. Segundo o delegado, o “grupo de Dantas” ofereceu US$ 1 milhão para que o delegado excluísse das investigações o nome dele e de sua mulher e abrisse uma apuração paralela sobre o rival e ex-sócio no Oportunitty, Luiz Roberto Demarco.
“O grupo de Dantas chegou a entrar em contato com um delegado de polícia para eliminar os nomes de Daniel e sua mulher, Maria Alice de Carvalho Dantas, das investigações. Em outra ocasião, duas pessoas também ligadas a Dantas procuraram o delegado para abrir investigação contra Luiz Roberto Demarco”, disse Queiroz.
O delegado também afirmou que ainda não há um valor exato do montante movimentado pelas supostas quadrilhas de Daniel Dantas e Naji Nahas, mas que “as cifras giram em torno de bilhões de dólares”.
No entanto, informações divulgadas pela Procuradoria da República no Estado de São Paulo calculam que o fundo movimentou quase US$ 2 bilhões entre 1992 e 2004.
Ele disse ainda que Nahas teria tentado manipular índices de juros do Federal Reserve, o FED, o Banco Central dos Estados Unidos.
“Há indícios de que Nahas teria manipulado índices de juros do Federal Reserve, mas isto ainda está sendo apurado”, disse Queiroz.
Segundo o delegado, a prisão de Dantas, Nahas e Pitta foi pedida para “evitar destruição de provas”.
Fundo no exterior
Na entrevista, o procurador Rodrigo De Grandis, do Ministério Público Federal (MPF), afirmou que “se criou um fundo vinculado às Ilhas Caimã que proporcionou investimentos de brasileiros no exterior, sem que se declarassem às instituições competentes”. Segundo ele, a administração feita dessa forma se caracteriza “uma gestão fraudulenta. Além disso, de acordo com o promotor, o grupo responderá também por evasão de divisas.
Segundo De Grandis, a origem dos carros de luxo apreendidos durante a operação da polícia será analisada. A suspeita é de que o grupo comprava imóveis, carros e outros bens para lavar dinheiro.
“Na literatura da lavagem criminosa é o que se chama de lavagem de recursos, a compra de dinheiro com objetos de luxo”, afirmou.
Advogado critica anúncio de prisão
Em entrevista para a “GloboNews”, Nélio Machado, advogado de Daniel Dantas, afirmou que “a prisão se afigura de todo desnecessária e revela uma precipitação da PF”.
“Nenhuma investigação justifica prisão de dezenas de pessoas, que têm vida útil e não são violentas”, afirmou, completando que “se quiserem apurar qualquer fato com o meu cliente, que o façam, mas que respeitem a Constituição, que na verdade é rasgada pela Polícia Federal e pelos meios de comunicação. Daniel Dantas é reconhecido por sua competência, gera empregos, mas foi estigmatizado como inimigo público”.
“Posso afirmar que ele é uma pessoa de bem e essa acusação tem componente de vingança, de natuteza medieval, porque a cabeça dele tem sido oferecida à prêmio”, disse Machado.
(*Com informações do jornal “O Estado de S. Paulo”)
Outras duas prisões preventivas estão sendo cumpridas, uma por Hugo Chicaroni e por outra pessoa que ainda não teve nome divulgado pela PF. Segundo o Ministério Público, as duas pessoas teriam agido a mando de Dantas e oferecido US$ 1 milhão para um delegado federal que participava das investigações para que ele tirasse alguns nomes do inquérito.
| Agência Brasil |
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| Daniel Dantas foi preso nesta terça-feira |
Dantas, que foi preso no Rio, foi transferido para a sede da PF em São Paulo na tarde desta terça.


